terça-feira, 15 de novembro de 2011

Call the morgue.

Sabe aqueles dias em que a gente acorda, vai escovar os dentes e não tem mais pasta ? Depois vai tomar café, e acaba derramando tudo na blusa branca que tinha sido comprada no dia anterior ? E pra piorar, entra no carro e tem aquele engarrafamento quilometrico. Nós chamamos isso de dias ruins, pensamos que nada pode ser pior do que aquilo, mas a verdade é que os verdadeiros dias ruins, não são nada comparados com o café derramado e a falta de pasta de dente, e quando os verdadeiros dias ruins chegam, nós imploramos para o engarrafamento voltar. 
A verdade é, nos dias ruins, pessoas morrem, tragedias acontecem, e a gente se afoga em mar de sentimentos que jamais serão esquecidos.
Quando nós somos médicos, e temos vidas pra salvar, e bisturis nas nossas mãos, nos sentimos deuses. Nós temos o poder de fazer o que nenhum outro ser humano faz: Manter pessoas vivas, mesmo quando o destino queira o contrario.
Dentro da sala de cirurgia, com o bisturi na mão, nos sentimos Deus. Ninguem pode nos dizer o que fazer, porque ninguem tem esse direito. Nós controlamos o destino de todas as pessoas que deitam nas nossas macas, e por isso eu decidi me tornar cirurgiã. Para me sentir como Deus, sentir o meu ego inflar como um balão, controlar a vida, e o destino das pessoas.
O único problema, é que eu controlaria o destino dos outros, mas o meu ainda seria um mistério, é aí que entram os dias ruins. 
Nenhum de nós sabe quando ele vão aparecer, eles vem sem aviso e devastam nossas vidas. Se nós soubessemos que eles seriam tão ruins, será que estariamos mais preparados ? Será que poderiamos mudar o que aconteceria ? Será ? 
Tantas perguntas para um destino tão insólito. 
Quando a gente tem 15 anos, a vida parece bonita, e o futuro bastante promissor ..